Nesta quinta-feira (9), o Núcleo de Alto Rendimento Esportivo de São Paulo (NAR-SP) recebeu em sua sede o pugilista campeão olímpico Róbson Conceição para avaliações de força e potência. Os testes foram um pedido do próprio atleta, a fim de ajustar sua rotina de treinamento para 2018.

Anteriormente parte da seleção olímpica, Róbson já era uma constante presença no Núcleo, com participações em treinos, estudos e avaliações. Em 2016, o baiano se tornou o primeiro brasileiro a vencer a medalha de ouro olímpica no boxe após derrotar o francês Sofiane Oumiha na categoria até 60kg durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O próprio conta que a ajuda do NAR-SP foi fundamental para a conquista.

“[Os treinos no NAR-SP antes dos Jogos Olímpicos] foram muito importantes pra mim, porque serviram para me mostrar se eu estava fazendo a coisa certa ou errada e também o que eu poderia fazer para ajustar meu treinamento,” diz o baiano.

Sobre o próprio título, Róbson se lembra de todo o apoio que recebeu e de toda sua dedicação para chegar ao seu sonho.

 “Todo meu esforço e dedicação e todas as pessoas que acreditaram e me incentivaram foram apenas a colheita de uma plantação que eu tinha feito lá atrás,” ele diz.

Róbson se profissionalizou ainda em 2016, logo após a conquista inédita. Após cinco lutas e cinco vitórias, o campeão olímpico já pensa em sua próxima luta, em fevereiro, nos Estados Unidos, contra um adversário ainda não divulgado – e não descarta em breve ir à busca do título.

“Já poderíamos ter lutado pelo cinturão, mas eu e minha equipe optamos por fazer um trabalho mais calmo, mais pelas beiradas”, ele diz. “Lutaremos pelo cinturão no momento certo e na hora certa.”

Agora em uma nova fase da carreira, Róbson tem certeza de que poderá contar com o apoio do NAR-SP novamente.

“A gente sempre procura os melhores. Se antes deu certo, para conquistar a medalha olímpica, por que não vai dar agora? Então resolvi fazer esses testes aqui, pedi ajuda do Irineu [Loturco] porque eu sei que o trabalho feito aqui é muito importante, vem ajudando muitos talentos e formando muitos atletas. Tenho certeza que essa parceria vai dar certo mais uma vez,” ele completa.

Confira abaixo outros trechos da entrevista com Róbson Conceição:

 

P: Qual foi a importância da sua preparação no NAR-SP para os Jogos Olímpicos?

R: Antes dos Jogos Olímpicos fiz testes e treinos aqui no NAR-SP e eles foram muito importantes, porque serviram para me mostrar se eu estava fazendo a coisa certa ou errada e também o que eu poderia fazer para ajustar meu treinamento e pudesse me levar a uma melhor forma física. Graças ao NAR-SP e a ajuda de todos que me mostraram como fazer os testes, foi algo muito importante para que eu pudesse conquistar a medalha olímpica.

 

P: O que é ser o único campeão olímpico do boxe no Brasil? Você sente uma responsabilidade com esse posto?

Q: Para mim, foi muito importante ser o primeiro brasileiro campeão olímpico, ainda mais em casa, podendo representar meu país em casa com a torcida a favor. Então, serve como um orgulho, de ser reconhecido e visto em casa e ver que todo meu esforço e dedicação e todas as pessoas que acreditaram e me incentivaram foram apenas a colheita de uma plantação que eu tinha feito lá atrás.

 

P: A torcida no Rio de Janeiro foi fundamental para sua vitória?

R: Com certeza. A torcida me levantava a todo instante. Mesmo quando eu era golpeado, ela continuava acreditando em mim e me incentivando. Até música cantaram para meu adversário.

 

P: Você se lembra dessa música?

R: (Risos). “Um, dois, três! Porrada no francês”! Não tem como não lembrar (risos).

 

P:Você acha que sua medalha incentivou a prática do boxe no Brasil?

R: Muito. Vejo muitos jovens procurando o esporte e procurando academias. Boxe no Brasil hoje tem uma motivação a mais: os meninos querem ser campeões olímpicos também. Então acho que essa medalha minha favoreceu muita gente e muitos jovens que pensam em seguir carreira no esporte.

 

P: Você se vê então como uma inspiração para uma nova geração de pugilistas?

R: Com certeza.

 

 

P: Como foi a transição de pugilista olímpica para profissional? Essa foi uma decisão difícil de tomar?

R: Eu já estava decidido. Antes dos Jogos Olímpicos, eu já tinha em mente que se eu conquistasse qualquer medalha, eu seguiria minha carreira profissional. Graças a Deus, isso foi possível. No meu caso, passar para o profissional não foi muito difícil, porque meu estilo de luta já era mais agressivo. Tive que fazer algumas adaptações, algumas correções de golpe e um trabalho de força diferente. Mas eu sempre fui um atleta que gostou de treinar muito, então para mim está tudo bem favorável. A cada luta que passa, estamos ajustando cada vez mais, tanto que eu agora vim pedir ajuda do Irineu [Loturco] para fazer um trabalho de potência para ver o que eu posso melhorar em meu treinamento. E vamos chegar lá!

 

P: Como foi voltar ao NAR-SP, lugar onde você passou tanto tempo antes dos Jogos Olímpicos?

R: A gente sempre procura os melhores. Se antes deu certo, para conquistar a medalha olímpica, por que não vai dar agora? Então resolvi fazer esses testes aqui, pedi ajuda do Irineu [Loturco] porque eu sei que o trabalho feito aqui é muito importante, vem ajudando muitos talentos e formando muitos atletas. Tenho certeza que essa parceria vai dar certo mais uma vez.

 

P: A sua mentalidade e rotina como atleta mudaram em algo após a profissionalização?

R: O treino mudou bastante. Eu estou com um preparador físico diferente também.

 

P: Cinco lutas e cinco vitórias, e a próxima luta será em fevereiro, contra um adversário que ainda não foi definido. Já consegue ter alguma expectativa?

R: As melhores possíveis. Eu venho treinando forte, em um nível altíssimo, para na hora que marcarem o adversário, eu ir para cima.

 

P: Você acredita que o cinturão pode vir em breve?

R: Com certeza muito em breve. Já poderíamos ter lutado pelo cinturão, mas eu e minha equipe optamos por fazer um trabalho mais calmo, mais pelas beiradas. Lutaremos pelo cinturão no momento certo e na hora certa.

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